segunda-feira, 2 de outubro de 2017

AG e prioridades



A Assembleia geral de apresentação de contas é um momento de elevada preponderância na vida do nosso clube. Tem como pressupostos o esclarecimento do modo de governação e do caminho a seguir. Por norma faço um imenso esforço para estar presente com excepção desta última. Não fui por opção, não fui porque percebi que não se iria discutir o essencial mas sim o facto de a bola entrar mais vezes na nossa baliza do que na dos nossos adversários. Não fui porque apercebi-me de movimentação da claque No Name no sentido de se apresentar em força na dita Assembleia, o que se saúda, por um lado, mas, infelizmente significa situações, dispensáveis, de tensão. 

Do que me fui apercebendo em função das notícias veiculadas pelos meios de comunicação social e de relatos de quem esteve presente, pese o normal cântico de protesto: “Benfica é nosso” (convém lembrar quem o canta, que é nosso significa de todos mesmo daqueles que têm opiniões diferentes) ouve a oportunidade de vários sócios poderem explanar as suas ideias e levantar algumas questões pertinentes. 

Penso que genericamente foram esclarecidas algumas dúvidas relativamente ao R&C, num documento de elevada qualidade que só podemos aplaudir ainda que tenha situações que podemos sempre questionar. O que é de estranhar ou de pensar é que este relatório foi aprovado por apenas cerca de 61% dos votos, ou seja, após vários anos, com especial enfoque nos 3 anteriores, de relatórios a acumular passivo e outras questões com bons indicadores mas muitas situações que suscitavam “dúvidas” a serem aprovados por números esmagadores, este de elevada qualidade em função do momento menos positivo da equipa foi aprovado por números relativamente baixos, especialmente porque estão inflacionados pelos 50 votos que as casas do Benfica dispõem.

Assim, discute-se a equipa de futebol e o que ressalva da AG é que a responsabilidade do momento/fase negativa foi imputado na plenitude a Rui Vitória. LFV ao dizer que o plantel foi aquele que RV pediu, enfatizando as questões Gabriel Jesus e Douglas como pedido expressos do treinador, culpabiliza-o pelo que de mau está a acontecer. A estrutura no seu esplendor de apoio.

Quanto a Rui Vitória está a pôr-se a jeito para ser o alvo de todas as críticas, um íman das balas que estão a ser disparadas e parece querer sê-lo. Lembro-me de uma conferência de imprensa do nosso treinador em que hierarquiza as suas prioridades para classificar o treinador do Sporting num modesto lugar a seguir ao vendedor de pipocas. Importa perceber, em termos de hierarquia, em que lugar está a análise dos problemas tácticos e físicos da equipa, é que parecendo que não dava um certo jeito começar a jogar à bola e a ganhar jogos e parece-me que essa análise é urgente, espero que para RV também o seja apesar de não parecer.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Com Filipe Augusto e Varela não vamos lá



Os adeptos do Benfica são de facto curiosos, a facilidade que se criam culpados e cenários apocalípticos em função do momento. A análise resultadista mas apenas do imediato.

Primeiro a culpa era de Filipe Augusto, assobios e a criação de um ambiente de terror para o jogador. Seguiu-se o Varela como visado das derrotas, depois era Fejsa o salvador que iria resolver todos os males, agora é LFV antes o mágico e melhor presidente da nossa História e o grande homem Rui Vitória que possuía imensas qualidades e que as perdeu de repente.

A memória alcança as últimas 48 horas como tal perde-se a noção total do problema. Eu ando em modo deja vú e esperançado que voltemos a ser bafejados pelos milagres que nos deram tantas alegrias nas últimas duas épocas e voltar a escrever e referir “de milagre em milagre até ao milagre final” que veio a ocorrer.

Desafio todos os interessados a lerem as cronicas e opiniões referentes aos primeiros 3/4 meses de Rui Vitória como treinador do SLB. Recordo a equipa tipo nesses primeiros meses: Júlio Cesar; André Almeida; Luisão; Jardel; Eliseu; Fejsa; Pizzi; Salvio; Gaitan; Jonas e Mitroglou. Depois surgiu a lesão de Salvio que originou numa primeira fase a entrada de Talisca (o culpado e foco dos adeptos da altura). Tudo acabou por se resolver com a entrada na equipa de Renato Sanches e a super forma de Jonas bem auxiliado por um Pizzi a médio direito.

O ano passado enquanto houve Gonçalo Guedes a queimar linhas por todo o lado a equipa aguentou-se até porque Pizzi estava numa forma soberba. Quando o miúdo saiu e regressou Jonas as nossas exibições caíram de forma abrupta, mas a qualidade individual de alguns jogadores juntamente com uma crença e confiança acima do normal, juntamente com os sucessivos tiros nos pés dos nossos rivais permitiram que fossemos a balões de soro até á vitória final.

Embriagados pela vitória mantivemos a confiança no trabalho. Não soubemos verificar que apesar de ganharmos vínhamos cometendo erros e que importava corrigi-los alicerçados nessas vitórias, o futuro era nosso se o quiséssemos ver em vez de andarmos em frente ao espelho a admirar a nossa soberba. 

O céu está a cair-nos em cima, mas o estranho seria não cair e a culpa não é seguramente do Varela ou do Filipe Augusto, simplesmente jogamos mal como já o fazíamos mas deixamos de conseguir os resultados que queríamos, a equipa tem pior qualidade individual na baliza, nas laterais, nos centrais e no ponta de lança (Seferovic conseguiu cair antes do que presumi), Pizzi está de gatas e Jonas simplesmente não se mexe e não tem bola. Fejsa é enorme mas apenas consegue atenuar o problema não o resolve. A solução, como escrevi há dias, é interna e passa por duas opções: Ou Pizzi e Jonas sobem de forma para patamares de antigamente ou altera-se o pressuposto táctico sacrificando, muito provavelmente Jonas, para jogarmos mais em bloco e com índices físicos superiores. Não vamos lá na qualidade temos que incutir transpiração.   

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Primeira ideia sobre o Relatório e contas



Ainda que careça de análise do relatório completo a divulgação em comunicado dos números genéricos é possível retirar algumas ideias e aferir da qualidade do relatório.

Num contexto em que se apresenta, segundo os próprios, os melhores resultados de sempre é natural que a generalidade dos números sejam agradáveis à vista, sendo possível verificar situações muito positivas e outras que não o serão, ainda assim na globalidade os números são interessantes.

Vamos por partes: 

 - O aumento do Activo em cerca de 30 milhões combinados com a redução do passivo em cerca de 17 milhões e um resultado líquido de 44 milhões é uma boa notícia. Poderemos sempre especular que o valor reduzido no passivo é curto, mas há luz dos números e das opções tomadas em exercícios anteriores, não havia grandes condições para fazer melhor. 

 - O que poderemos ainda concluir é que a redução do passivo para valores na ordem dos 200 milhões, que foi mencionado em tempos por LFV, é ainda uma miragem só possível no curto prazo com o aumento exponencial das receitas. 

 - Pagamento em comissões por transações de atletas situou-se nos 20 milhões, ou seja, cerca de 16,5% o que compara favoravelmente com os 18,30% do ano anterior. 

 - Redução do endividamento em cerca de 20 milhões o que entronca na redução do passivo. A conversão de 100 milhões de empréstimos de curto prazo em longo prazo é uma medida de gestão muito interessante.

 - Resultados operacionais excluindo as transações de atletas mantêm-se equilibrados favoravelmente, contudo verifica-se as seguintes duvidas/alertas/preocupações:


  • Aumento da rubrica de gastos de pessoal excluindo o plantel em mais de 13 milhões (prémios; inflação, Nhagas ou luvas aliviando a rubrica de comissões, não percebo);
  • Direitos televisivos aumentam 2,1 milhões – falta perceber se foi especializado o valor de contrato até final do ano ou não. Se não foi, então é um excelente indicador, caso se verifique então terei duvidas se financeiramente ficamos a ganhar com a opção NOS e jogos às 21h00 com a respectiva redução na receita de bilheteira;
  • As receitas operacionais na vertente comercial em ano de tetra desceram compensadas nesta fase com a bilheteira. Uma má performance desportiva implicará o desequilíbrio da rubrica o que é natural mas importa estar atento. Mais um dado que remete para a necessidade de vendas de atletas e performance desportiva.

- Aspecto menos positivo deste comunicado/relatório está no aumento do activo na proporção de 9 milhões via reavaliação/valorização do plantel. O registo de imparidades em 8 milhões que não percebo muito bem a sua origem mas penso que estas questões poderão estar interligadas com efeitos nos exercícios posteriores (ex: Mitroglou avaliado em 30 milhões e transacionado por 15). 

Em jeito de conclusão, parece evidente que a máquina que impulsiona a SAD é o futebol e se a bola entra ou bate na trave. Se entrar tudo corre melhor se não entrar os reflexos fazem-se sentir a todos os níveis, por isso convém fazer as coisas bem para termos resultados desportivos compatíveis com as nossas ambições. Nos últimos dois anos desportivamente vamo-nos pondo a jeito com sucesso no primeiro ano, neste veremos.  

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A ladainha não é o caminho



Quando as coisas correm mal vem logo a tendência facilitista para procurar culpados gratuitos e preferencialmente terceiros, no caso o árbitro.

Em função da nossa abordagem ao mercado, era previsível que as exibições da equipa piorassem e a consequência direta no resultado se fizesse sentir. Bem sei que o resultadismo inibe a análise cuidada mas o Benfica apesar de ter sido tetra já não praticava um grande futebol, apenas ganhava, era eficaz porque tinha um plantel que permitia sê-lo ofensivamente (ainda mantém) e defensivamente mas não jogava bem. 

Culpar o arbitro quando:

 - Alguém acha que Lisandro pode ser titular ou suplente de uma equipa com ambições;

 - Se aposta para titular em jogadores com visíveis dificuldades físicas pese a sua inegável qualidade (Jonas e Pizzi);

 - Se mantém uma preparação física débil que origina constantes lesões musculares e de difícil recuperação;

 - Um treinador ao bom estilo dos anos 90 a única solução que apresenta é tirar um lateral para colocar um avançado;

 - Num jogo em que nada se conseguiu produzir em termos ofensivos com excepção da ala esquerda (Grimaldo e Zivkovic) se opta por, de uma assentada, dinamitar essa única linha de qualidade que vínhamos evidenciando;

 - Já com a equipa em anarquia completa, sem meio campo desde os 60 minutos (para ser simpático) retira do campo um central para colocar o defesa direito a central e lançar no jogo mais um avançado;

 - Se percebe que a estrutura prefere investir muitos milhões no betão em vez de investir nas modalidades desportivas que são o verdadeiro baluarte do clube. Será que o investimento em colégios no Seixal não seria compatível com a manutenção do investimento em planteis (das várias modalidades)?  

Os problemas são internos e não de terceiros o que nos é favorável pois podemos corrigi-los, moldá-los e das fraquezas fazer as nossas forças, estou certo que no imediato as coisas vão melhorar para isso basta que Pizzi e Jonas melhorem os seus índices físicos e que Jardel e Fejsa voltem ao leque de opções. Em Janeiro, colmatar alguma lacuna mais urgente.

Em termos estruturais, penso que a aposta no Seixal deveria ser efectuada num modelo de auto-suficiência independente do orçamento/investimento nas modalidades desportivas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Golo barato



Aparentemente para os responsáveis do Benfica o golo está barato, pelo menos quando estamos na condição de vendedores. A venda de Mitroglou desportivamente, considerando as duas épocas em que foi absolutamente decisivo marcando mais de 50 golos muitos deles fulcrais, é muito preocupante, percebo que o jogador queira sair, percebo igualmente que aos 29 anos não teríamos muitas oportunidades para realizar encaixe, mas 15 milhões parece-me curto (a questão dos 50% parecem-me balelas iguais a tantas outras que visam compor o negocio mas não se traduzem em nada real). 

Por contraponto na posição de compradores não nos inibimos de pagar fortunas por jogadores que não apresentam no curriculum a capacidade de por a bola na baliza de forma regular. Jimenez (22 milhões), Gabigol (25 milhões) e o Seferovic (custo 0?) têm em comum o facto de serem avançados mas marcarem poucos golos. Será que RV tem escondido, ou acredita a estrutura que o tem, alguma poção mágica em que transforma os jogadores em máquinas goleadoras capazes de resolver com enorme eficácia a incapacidade futebolística que a equipa vem revelando? Vamos acreditar que sim.

A actuação do Benfica no mercado foi ao nível da exibição na primeira parte em Vila do Conde: paupérrima. Vendemos 4 titulares mais 30 excedentários realizando mais de 150 milhões e revelamos uma incapacidade total para conseguir reforçar o plantel resumindo as contratações a dois brasileiros de qualidade duvidosa que chegam por empréstimo apenas no último dia de mercado apesar do Douglas estar referenciado há 2 meses. Estou ansioso para ver as nossas contas e o reflexo real destes negócios.

O RV não é o melhor treinador do mundo, a estrutura não lhe facilita em nada o trabalho bem pelo contrário, se o penta for uma realidade passo andar com a fotografia dele na carteira e assumo de uma vez por todas que não percebo nada de futebol.